sábado, 4 de julho de 2009

Morte


Estava em um velório ontem, parente não tão próximo, mas que me trouxe novamente a realidade da vida humana. Mutável! Agora somos e amanhã já não somos. Como diz a melodia: A nossa vida a um sopro é semelhante e nós passamos como o vento, num istante. VERITAS!

A vida tem sons, tem cores, tem imaginação, tem sorriso e lágrima. A morte? pobre morte o que tem? Ah, para os que crêem ela tem a chave da porta de entrada do céu.

Por ela todos passaremos, crentes e descrentes, judeus e cristãos, mulçumanos e budistas, ateus e kardecistas e todos chegaremos ao bom termo de nosso união com Deus. "O céu é Deus..." Sim, mas a experiência da morte é dolorosa a nossa humanidade, separação, dor, perda, impotência, são os sentimentos que povoam a mente e o coração daqueles que a vivem. Choro, mágoa, rancor, ódio, dores que não se pode medir e as lágrimas, sinal de amor incondicional se mistura a aflição do medo de nossa realidade. Morreremos. Amém, morreremos. Apesar de esta ser bela, com suas mazelas, se fosse a melhor, com certeza seria ela a eterna. Mas não é. Nosso lugar é o céu, o céu de Deus, o céu do amor, o céu onde não há lugar para tristeza e nem para separação já que a comunhão se tornou plena. Deus é tudo em todos.

Chorar sim, desesperar-se não. Imagino que perder alguém querido seja como roubar um pedaço de si, amputar-se, permitir ser cortado e jogado no chão. Creio que enterramos, não só pelo fato de virmos da terra e pra lá voltarmos, mas também pelo fato de sermos semeados. Semeia-se para que a vida nova floresça, semeia-se para que a terra seja fortalecidade e alimente outras pessoas, dê sombra a outros, que refrigere muitos.

A voz do Senhor chamará e quisera estejamos prontos pra ouvi-lo e atender ao chamado, pois este é inegável. Se a Ele negarmos o SIM do chamamento durante toda a vida este sim derradeiro não lhe será negado. Vem! dirá-nos Ele. E toda milícia celeste apressada em nosso socorro virá, aquela bendita Igreja já triunfante orará por nós assim como a Militante.

Não desesperar, nem encontrar culpados. Deus não tem culpa da nossa morte, ela é a sorte de nossos pecados e meio de nossa eterna salvação. Deus a usa apenar para nos levar para junto de si. E se choramos de tristeza aquele que vai chora de alegria, pois a beatitude Divina o envolve em tanta luz que as realidades das coisas transitórias são nada, são desprezíveis perto das eternas.


Rezemos por nossos falecidos certos, sempre certos da sua ressurreição! Um dia veremos face a face.

Para meu amigo Rodrigo Teixeira.

6 comentários:

Jhonatha disse...

Amigo Bruno... como sempre, mais uma grande contribuição para nossa reflexão e para o nosso amadurecimento na fé... Que o Santo Espírito aumente em você a cada dia a inspiração e a sabedoria para postar de forma tão brilhante seus pensamentos, ideais e filosofias.

De fato, quando falamos da morte estamos distante do maior medo e mais belo mistério da vida humana. O momento de voltarmos a morada do Pai. De alcançarmos a glória celeste.

Quero deixar como contribuição neste tópico um poema que particularmente gosto muito, que resume bem este mistério da nossa Páscoa.

"Vivo já fora de mim, desde que morro de amor porque vivo no senhor, que me escolheu para si. Quando o coração lhe dei, com terno amor lhe gravei, que morro porque não morro, vivo sem viver em mim.
E tão alta vida espero, que morro porque não morro. Vivo sem viver em mim.
Esta divina prisão, do amor em que eu vivo, fez a deus ser meu cativo, e livre meu coração. E causa em mim tão paixão ser eu de deus a prisão, que morro porque não morro.
Ai que longa é esta vida! que duros estes desterros! Este cárcere, estes ferros onde a alma metida! Só de esperar a saída me causa dor tão sentida, que morro porque não morro.
Vida, que posso eu dar a meu deus que vive em mim, se não é perder-me enfim, para melhor o gozar? Morrendo, o quero alcançar, pois nele está meu socorro, que morro porque não morro. Vivo sem viver em mim.
E tão alta vida espero, que morro porque não morro. Vivo sem viver em mim."

Bruno Augusto disse...

Caro Jhon, na verdade esta música toca profundamente em mim, desde aqueles primórdios em que começamos a servir ao Bom Deus. E lá minha alma já cantava desperta: AI QUE LONGA É ESTA VIDA QUE DUROS ESTES DESTERROS. ESTES CÁRCERES, ESTES FERROS ONDE A ALMA ESTÁ METIDA. SÓ DE ESPERAR A SAÍDA ME CAUSA DOR TÃO SENTIDA, QUE MORRO PORQUE NÃO MORRO. VIVO SEM VIVER EM MIM.
E não é que a força desse desejo nos capacita para darmos grandes saltos em busca da perfeita união com Deus. Somos como vasos, com o tempo precisamos ser substituídos e o Divino Oleiro tem pressa em nos conservar jutno de si, no seu acervo de grandes vasos, de preciosidades. Somos preciosos e com certeza ao sermos semeiados na terra somos como que envolvidos pela terra de modo que como o carvão com o tempo se transformará em diamente, após a lapidação será valiosíssimo. Todo lapidar exige força e a dor é inevitável, assim como a morte, mas depois ela trará alegria, pois nos veremos face a face já com corpos gloriosos e não com o antigo aspecto da imperfeição. Vasos novos, pedras vivas e preciosas de um edíficio espiritual e único, perfeito e santo.
Amo demais os ritos de exéquias e sinto que a Santa Igreja tem e teve muito cuidado em cercar de carinho esse momento tão especial na vida do cristão. É a entrada plena nos mistérios que ela adora aqui na terra. O caminho é eterno!

Amém... VAMOS PARA O CÉU TÃO BELO, MUI MORTIFICADOS, HUMILDES E DESPREZADOS...

Bruno Bressani disse...

Estimado Bruno,
Suas palavras, carregadas de um forte teor de sabedoria, misturadas com o mistério da morte fazem-me refletir na essência da minha história e nos rastros que deixo por onde passo. Para mim, a morte é o mistério da antecipação. Quem morre no Cristo, antecipa-nos. A Virgem Maria disse na cidade de Medjugorje que a morte não existe! Talvez com essas palavras, a Mãe de Deus quis nos lembrar que por mais que as três horas da sexta-feira da paixão sejam dolorosas, nada substitui a Eterna Alegria que resplandece no Domingo da Ressurreição. Também,este insondável mistério da antecipação me faz refletir em outro mistério: o mistério da saudade!
Bendito sentimento que mantém viva dentro de nós a chama da lembrança e do amor, que diminui a distância e não deixa cessar o amor!

Bruno, Deus Abençoe sua Vida e continue lhe concedendo a graça de traduzir as misteriosas linhas da Vida!

Fraterno Abraço

Bruno Bressani

Lilian Rodrigues disse...

Ola priminho!!!
Esse post me fez lembrar de um livro que você me emprestou (eu achei mara diga-se de passagem) mas sei que ainda não leu!


"Eis um pequeno fato - Você vai morrer".
"A pergunta é: qual será a cor de tudo nesse momento em que eu chegar para buscar você? Que dirá o céu?

As pessoas só observam as cores do dia no começo e no fim,
mas, para mim, está muito claro que o dia se funde através de uma multidão
de matizes e entonações a cada momento que passa.
Uma só hora pode constituir em milhares
de cores diferentes — amarelos céreos, azuis borrifados de nuvens. Escuridões enevoadas.
No meu ramo de atividade, faço questão de notá-los. (Markus Zusak- A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS)


A morte. Sim essa que nos leva ou nos retira de nossos corpos, essa que nos faz ver como cada universo humano, cada pessoinha, é um turbilhão de vetores de todas as naturezas e muitas vezes fazemos coisas, vivemos coisas, que são demais para nós mesmos.Mas, apesar das adversidades temos que conseguir continuar vivendo, convivendo e sobrevivendo.

Sobreviver em tempos difíceis, de crises e escassez.

Conviver, ações e reações. Muitas das vezes são elas que nos enaltecem, muitas outras são elas que nos derrubam.

Viver,a mais difícil e complicada de todas, breves momentos em que nós conseguimos esquecer o que nos rodea, momentos que conseguimos viver, seja tocando um violão, seja escrevendo, seja estimando a vida de outros. Essas pequenas coisinhas nos levam de um dia a outro.

Em uma parte do livro a morte diz "Os seres humanos me assombram”. Eu sei... soa de forma bizarra, afinal , praticamente tudo que fazemos é para escapar da morte , mas ela nunca nos escapa ela sempre vai nos encarar face a face.

Assim a vida faz sentido, afinal somos humanos, meros humanos tentando passar de um dia a outro da melhor maneira possível.

Bom, é isso!!! Não pode reclamar que eu não te comento hein!! rsrsrsrs

Bjokas!

Camilão disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Camilão disse...

Filho, queria eu ter a sabedoria dos Santos Anjos para guiar-te em caminhos seguros.
Mas como simples mortal lhe guio pelos caminhos que meu coração me leva e com certeza tem me levado sempre a Jesus,
Amo-te!

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