terça-feira, 19 de maio de 2009

Semeador

Eis que o semeador saiu a semear. (Mt 13,3).

Eis o semeador, pequeno semeador, porém enriquecido dos favores do Senhor, o Grande Semeador. Chamando-o, deu-lhe seus dons, convocou-o das terras distantes e o enviou para semear. Eu sou tua Luz disse o Grande Semeador ao seu aprendiz, saí e semeai.

Juntando ao seu ombro o embornar e tomando sua capa saiu a semear, não sabia que tipo de sementes carregava e as deixava cair, não sabia se eram frutíferas, hortaliças, flores, não sabia, porém sabia que devia semear. Em seu coração havia uma verdade as sementes que carregavam eram sementes que continham vida e não eram estéreis.

O semeador saiu a semear vida, foi seguindo o caminho desconhecido por ele, mas conhecidíssimo do Grande Mestre. Ele mesmo já o havia percorrido e jamais desanimado. Faltava água, faltava sombra, havia chuva, o sol era forte, era longo o caminho e o cansaço oprimia, mesmo assim o semeador saiu a semear.

Onde está a garantia de teu salário meu semeador? - perguntou-lhe alguém. E ele respondeu: "_Minha paga está no fim do caminho, o Bendito Semeador me mandou somente semear, porém Ele não mente, e me dará conforme o meu amor, me dará aquilo que meu coração deseja pois nele eu coloquei a minha esperança..."

Assim deixava claro o semeador que o seu desejo era de semear, mesmo que fosse pouco, mas que seria com fidelidade ao mandato do Mestre. O Mestre era e é seu Deus.

Chegou um dia que o semeador foi assaltado, roubaram-lhe a bolsa e os tesouros que ele tinha foram saqueados. Padeceu o semeador, foi ultrajado, humilhado e levaram tudo o que tinha e ele pensava consigo: - vou morrer! já não há esperança para mim, já nao tenho a quem ir...

Porém, o semeador viu ao longe um monge que por ali andava a pastorear. Disse-lhe o monge:

_ Irás ao teu Senhor, só Ele tem Palavras de vida eterna, pois Ele é a vida eterna, Ele te fará voltar a sonhar.

"_faz-me voltar- disse o semeador- se tu me fazer voltar serei como os que sonham.

Tomando coragem, levantou-se, vestiu-se de vigor e alegria, e regressou. Pelo caminho foi contemplando e percebia, havia frutificado suas sementes, já na havia mais sol forte pelo caminho, pois a sombra dava refresco e as aves pousavam, aninhavam-se nas copas das árvores, as flores haviam desabrochado e as hortalices serviam de alimento ha tantos peregrinos que por ali passavam juntamente com os frutos das frutiferas árvores que do seu emborna sairam. Pensou naquele instante no livro Sagrado a passagem que está escrita: "...chorando de tristeza sairão espalhando suas sementes e cantando de alegria voltarão carregando os seus feixes."

Vendo ao longe aproximar-se a casa do Grande Semeador caiu por terra o aprendiz de semeador e chorou. Talvez de medo e vergonha por ter parado e ter tido que regressar. Ora, quando o avistou caído o Senhor Semeador, logo saiu correndo ao seu encontro e gritando de alegria abraçou dizendo: - Eu o esperava!

Já não quis saber o Grande Semeador o que tivera acontecido, só queria ter de volta o seu semeador.

Levantando-se do chão disse o semeador ao Mestre: -"Pois como um pai se enternece por seu filho, assim enterneces por mim porque conheces meu interior e compreendes que sou humano."

Agora que estou em tua casa novamente posso descansar...



"Eu o esperava com ansias, vim até ti e Tu me levantou, afrouxou minhas sandálias e firmou meus passos. Colocou em minha boca um canto novo, um canto de louvor. Muitos vendo isso abaixaram os olhos, muitos ao ver-me confiaram no Senhor. Feliz o homem que confia no Senhor, feliz aquele que não se perde com ganhos, quantas maravilhas fizeste-me tu Senhor Meu Deus, quantos planos em meu favor. Incomparáveis, tento enumerá-los, mas superam toda descrição. Abriste meus ouvidos e nem vítimas ou holocaustos me pediste, então eu disse: eis que venho."



Caro semeador, eu indigno aprendiz de pastorzinho dedico a você esta história simples, história que fala muito de ti e falam muito de mim. São os griutos dentro de mim, são os clamores de nosso ser desejoso de Deus e que não se curva perdendo sangue, mas se levanta e mesmo que sem forças volta para o regaço acolhedor do PAI. Nada pode apagar o amor, nenhuma água, e de modo algum morrerá aquele que crê no amor e o busca mesmo sendo incompreendido. Guarde uma coisa, vamos caminhando, COM DEUS ATÉ O FIM MESMO SEM ENTENDER, POIS QUEM CAMINHA SEM ENTENDER, ENTENDE O QUE É CAMINHAR.



é só isso...

10 comentários:

Bruno Augusto disse...

Pede e será atendido...
Busca e encontrará...
Chama e se abrirá...
Porque todo aquele que pede...
Porque todo aquele que busca...
Porque todo aquele que chama...
se lhe abrirá...
encontrará...
receberá...

Nós que somos maus sabemos das coisas boas aos nosso filhos, imagina o que não fará por nós Deus?

Para você meu filho...

Vanessa disse...

Amem!!!!
Amigo...essa e a palavra de Deus p dia de hj...rsrs..primeira vez q entro ja to vendo a providencia de Deus!!!

Bruno Augusto disse...

Amada Vanessa... somos todos aprendizes de pastorzinho, pequenos semeadores, se sentamos para contemplar a Deus Ele semeia em nós e se paramos para contemplar os homens pela oração diante de Deus semeamos neles. Assim semeiam as monjas e os monges, pela oração silenciosa, assim recebem de Deus os bens eternos os que sofrem quietos pois tudo o que possuem dão a Deus e dele só recebem mais e mais graças. Assim semeam a salvação no mundo os enfermos que entregam ao Senhor suas dores e dela extraem o nectar da felicidade divina, da união mística, porque todo aquele que chama será ouvido, e assim configurados ao Senhor pelo sofrimento partilham da redenção da humanidade. O SEMEADOR SAIU A SEMEAR, as sementes foram caindo mesmo nos terrenos não férteis. O Semeador não se preocupou em escolher o campo, ele somente lançou, pois sabia que as suas sementes eram boas, mas tudo dependeria do solo que a receberia e como esse solo a receberia. POr isso não permitamos que os espinhos do sofrimento humano se percam por falta de amor e configuração e assim sufoquem a graça, ou que os pássaros da mente venham comer as sementes e nem que o sol forte da tentação nos desvie do foco da confiança. E quando formos assaltados e nossa bolsa for roubada sejamos capazes de regressar ao colo do PAI..,
Amém...

Marcus Vinicius Feichas disse...

Meu caro amigo,

Primeiro, alegro-me e agradeço-lhe a homenagem. Semeio muito pouco ainda. Mais do que gostaria. Mas o pouco que está semeado, gera frutos positivos de vida. Frutos que permanecerão a partir dos cuidados que a ele forem proporcionados. A partir do semeio, inicia-se uma tarefa longa que envolve o cuidado, o regar, o iluminar, enfim, o processo natural do crescimento, como todo e qualquer outro processo constitutivo da existência humana.

Se semear um fruto bendito e salvífico, terei semeado toda a missão de minha vida.

Abraços..

Anônimo disse...

Amado amigo,

"...do semeio, inicia-se uma tarefa longa que envolve o cuidado, o regar, o iluminar..."

Assim vc escreveu no seu comentário, e me chamou a atenção, pois é esta fase a que Deus faz, é a hora que ele no silêncio daquela semente, escondida debaixo da terra, ele vai tecendo a vida da grande árvore que vai nascer. è ali onde ninguém v~e que vai acontecendo o milagre da vida nova, e para a semente como para nós de modo algum é simples o fato de desabrochar, de nascer denovo, de se fazer uma nova criatura, é doloroso o processo de mudar, de mudar de fase, de ir para outra etapa, é doloroso mas é necessário, pois a passagem causará enriquecimento a muitos outros que são os próximos desta semente...

"Que neste tempo pascal possamos dizer; EU NASCI DENOVO!

Anônimo disse...

Ps: o comentário acima foi escrito por Bruno Augusto...

Lilian Rodrigues disse...

Olá amigo, depois de muito tempo aqui estou novamente.
Mas esse post eu me sinto quase que na "obrigação" de comentar!



Uma das úncas coisas que podemos ter certeza na vida é em relação a mudança.
Seja nós ou o mundo estamos sempre em constante transformação , mas o problema não está na mudança em si, mas na maneira como reagiremos a ela. E é aí que está a importância da nossa auto estima, devemos aceitar nossos defeitos e qualidades e saber viver com eles para não cometermos o erro de sempre culpar o mundo por nossas mazelas.

A cada passagem de um estágio do nosso crescimento humano para outro, também temos que mudar nossa estrutura de proteção. Ficamos expostos e vulneráveis, mas também efervescentes e embriônicos novamente, capazes de nos estendermos de modo antes ignorado.

Cito aqui o exemplo da lagosta que cresce formando e largando uma série de cascas duras, protetoras. Cada vez que ela se expande, de dentro para fora, a casca confinante tem de ser mudada. A lagosta fica exposta e vulnerável até que, com o tempo, um novo revestimento vem substituir o antigo.

E não adianta choramingar o mundo não tem dó de ninguém, somos livres e cabe a nós conquistarmos nosso espaço. Acredito que ninguém esteja confinado em uma cela ou acorrentado à alguma pedra, são apenas amarras psicológicas que criamos no passado e que acabam nos limitando (como na estória do elefante de circo que depois de adulto fica preso por pequena estaca e uma corda fina).

Na realidade, nós é que temos de declarar nossa própria alforria.

Afinal, "Tudo muda exceto a própria mudança.” Heráclito (cerca de 540-470 a.C)

Bjokas!!!

Marcus Vinicius Feichas disse...

Caros amigos Bruno e Lilian,

Não imaginam o quanto semearam com as lindas reflexões que fizeram. Aliás, a Lilian, a cada dia que passa, apresenta uma faceta nova. Ao citar Heráclito, me estarrece imaginar que possuímos aqui um talento escondido que passa poucas vezes para deixar sua contribuição intelectual, mas assim de tudo, sua contribuição de sensibilidade humana.

Eu as vezes paro e penso meus dois grandes amigos, como as mulhers são mais fortes que nós, pobres homens. O Homem, que pela força muscular se sobrepôs durante milênios, não entendeu que a força que sustena o ser vem da sensibilidade da mulher. Da boa mulher. Da mulher que empresta sue zêlo, seu carinho, seu coração. Que levanta-se com uma força incrível de situações das mais complicadas e nos demonstra que, enquanto socamos a mesma para demonstrar autoridade, elas nos ensinam que ao receber uma simples rosa, transformam as dificuldades da vida em leveza, pela magia do sorriso e encanto que são submetidas naquele instante.

Mudar, recomeçar. Reconfigurar o que está embaralhado. Enxergar as peças que se desmembraram do quebra-cabeças e avaliar se aquele quebra-cabeças merece ser montado novamente.

O exemplo da lagosta é mais que pertinente, pois nós humanos, precisamos ter a sensação da proteção quase ininterruptamente. Mas as vezes, ou melhorando, muitas vezes, passar pelo inverno da vida é necessário para perder as folhas velhas e na primavera, apresentar flores e folhas novas. O processo não é simples e nem tampouco indolor. Mas é necessário.

Entender isso é ainda mais complexo. Mas ainda assim, precisa ser entendido.

Já tive oportunidade de ler, ouvir e dizer que se queres conhecer alguém belo, olhe para seus sofrimentos. A cada dia minha gente, que faz o correr da minha vida humana, isso cresce no meu peito. A cada hora que passa e que olho para os lados, percebo o quanto da beleza humana está escondita nos recônditos dos dos bares, das casas de recuperação, das clínicas psicológicas.

Desses locais, recolhem-se histórias fascinanetes. Mas infelizmente, o humano ainda não aprender a buscar um verdadeiro amigo para dividir com ele as angústias, os processos de vida, os processos de mudança. Prefere o caminho mais difícil. Estranho.

Como é estranha a sensação de recomeçar. Estranha porque gera instabilidades, medos, desconhecidos. Mas, ainda mais estranho, é não conseguir enxergar que a mudança, o recomeço, se faz necessário. E por esse processo cômodo, vidas são deixadas de lado. Saem do mundo como entraram. Silenciosas. Não deixam rastros, nem frutos. Apenas, saem de cena. Não houve a peça, não houve a exibição. E neste momento, pergunto:

O que seria pior: recomeçar e sofrer as dores das perdas que serão inevitáveis, ou olhar para trás, ao fim da vida, e perceber que o teatro de sua existência nunca existiu. Não por falta de público, mas por falta do ator principal?

Lilian, parabéns por mais uma linda reflexão. Agora, por favor, aqui sente-se obrigada a comentar? Só aqui? Depois o Bruno vem me cobrar citando ciúmes...

Bem, não sou ciumento, mas sou exigente. E exiijo que passe por um outro blog, humilde, não tão acompanhado como este, mas que não me retire a oportunidade, de ler textos e reflexões tão belas!

E exijo mais: traga amigas, amigos, todos que se encantem com a vida e com os belos textos que brotam do digitar de seus dedos.

Marcus Vinicius Feichas disse...

* acima de tudo

Mônica disse...

Amigo...
ficou Mara...mesmo demorando para entara aqui,sempre me surpreeendo qnd passo aqui!...lindo lindo!

Amo te

Beijoo

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